sábado, 31 de março de 2012

Aniversário

Véspera do aniversário das crianças, reconheço-me inteira no texto a seguir...

Festa de Criança (Luis Fernando Verissimo)
         Você reconhece quem teve uma festa de criança em casa no dia anterior. Alguma coisa no rosto. A expressão de quem chegou a terrível conclusão de que Herodes talvez tivesse razão.
 - Que respiração ofegante o senhor tem!
 - Foi de tanto encher balão.
 - Que dificuldade o senhor tem para caminhar!
 - Foi de tanto levar canelada tentando apartar briga.
 - Como suas mãos estão trêmulas!
 - Foi de tanto me controlar para não esgoelar ninguém!
 Respeito e consideração para quem teve uma festa de criança em casa no dia anterior.
 O pai e a mãe estão atirados num sofá, um para cada lado. semiconscientes. Já é noite, mas a festa ainda não acabou. Sobram três crianças que não param de correr pela casa.
 - Tenho uma idéia – diz o pai.
 - Qual é?
 - Vamos mandar eles brincarem no meio da rua. Esta hora tem bastante movimento.
 - Não seja malvado. Daqui a pouco eles vão embora.
 - Quando? Essas três foram as primeiras a chegar. Acho que os pais deixaram elas aqui e fugiram para o exterior.
 Uma menina cruza a sala na corrida. Quando chegou, tinha o vestido mais engomado da festa. Depois de três banhos de guaraná e uma batalha de brigadeiro, parece uma veterana das trincheiras.
 - Essa ai é a pior – dia o pai, num sussurro dramático – Essa baixinha! È um terror!
 - Coitadinha. É a Cândida.
 - Cândida?! É uma terrorista!
 - Sshhh.
 - De onde saiu essa figura?
 - É uma colega do Paulinho.
 - E aquele ranhento que não pára de comer?
 - É o Chico. Também é colega.
 - Será que não alimentam ele em casa? E o outro, o que está pulando de cima da mesa?
 - É o Paulinho! Você não reconhece o seu próprio filho?
 - Ele está coberto de chocolate.
 - É que ele teve uma luta de brigadeiros com a Cândida...
 - E perdeu, claro. A Cândida é imbatível. Guerra de brigadeiros, jiu jitsu, vôlei com balão, hipismo com cachorro. Ela foi a única que conseguiu montar no Atlas.
 - Por falar nisso, onde é que anda o Atlas?
 - Fugiu de casa, lógico. Era o que eu devia ter feito.
 - Ora, é só uma vez por ano...
 - Você precisava me lembrar? Pensar que daqui a um ano tem outra...
 - Você não pode falar. Você também gosta de fazer festa no seu aniversário.
 - Mas nós somos finos. Nenhuma festa teve guerra de chocolate. Nos embebedamos como pessoas civilizadas.
 - Ah é? E o anão com o trombone?
 - Essa história você inventou. Não havia nenhum anão com um trombone.
 - Ah, não? A Araci é que sabe dessa história. Só que ela foi embora no mesmo dia.
 O Chico se aproxima.
 - Tem mais cachorro, quente?
 - Não, meu filho. Acabou.
 - Brigadeiro?
 - Também acabou, Chico.
 - Dá uma lambida na cabeça do Paulinho – sugere o pai, sob um olhar de reprimenda da mãe.
 - Puxa, não tem mais nada? – diz Chico. E se afasta, desconsolado.
 - E ainda reclama, o filho da mãe!
 - Shhh
 - Bom, você eu não sei, mas eu...
 - Você o quê?
 - Vou tomar meu banho, se é que ainda tenho forças para ligar um chuveiro, e ver televisão na cama.
 - E quando chegarem os pais?
 - Que pais?
 - Os pais da Cândida e dos outros, ora.
 - O que é que eu tenho com eles?
 - Quando eles chegarem, você tem que receber.
 - Ah, não.
 - Ah, sim!
 Batem na porta. O pai vai abrir, esbravejando sem palavras. É um casal que se identifica como os pais da Cândida.
 - Entrem, entrem.
 - Nós só viemos buscar a...
 - Não, entrem. A Cândida não vai querer sair aora. Ela é um encanto. Meu bem, os pais da Cândida. Sentem, sentem.
 O pai esfrega as mãos, subitamente reanimado.
 - Quem sabe uma cervejinha? Querida, vá buscar.
 Como Araci se foi, a própria mãe – que se ocupou com a festa desde de manhã cedo, que mal se agüenta em pé, que podia matar o marido - vai buscar a cerveja. Pisando nos embrulhos de doces, nos copos de papelão e nos balões estourados que cobrem o chão e que ela mesma terá que limpar no dia seguinte. Respeito e consideração para as mães que tiveram festa de criança em casa, no dia seguinte.
 Enquanto isso o pai acaba de abrir a porta para os pais do Chico e os manda entrar, entusiasmado com a idéia de começar sua própria festa.

Metafísica (Luis Fernando Verissimo)

Desmoronou uma ponte de gelo no Himalaia. No mesmo instante, dentro da sua cozinha, no Rio, abrindo uma lata de pêssegos em calda, Marisa sentiu uma leve inquietação, como se alguma coisa tivesse acabado em sua vida. Não existe qualquer ligação conhecida entre os dois fatos.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Rio de Janeiro

"Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
(...)
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
(...)
 Rio de sol, de céu, de mar"

Em tempos de SIRI, do iPhone...

... essa crônica do meu guru intelectual fica atualíssima!

Conto Erótico
Luis Fernando Veríssimo
-Às suas ordens.
-Que-quem é?
-Às suas ordens.
-Acho que apertei o botão errado. Ainda não me acostumei com o painel deste novo sistema. Como é que eu faço par conseguir linha direta?
- Linha direta: comprima o botão vermelho no canto direito inferior do painel. Aguarde. Se der sinal de linha, comprima o botão marrom, depois o vermelho novamente.
Repita  a operação até conseguir a linha.
- Obrigado, senhorita...
- De nada. Desligo.
-Escute!
-Às suas ordens.
- Olhe. Por favor, não pense que eu estou sendo indiscreto, mas é que não reconheci sua voz. Você é nova no escritório? Alô?
-Às suas ordens.
-Eu só queria  esta informação...
-Informação: Comprima o "zero' no painel. Aguarde. Quando ouvir o sinal eletrônico, declare a informação desejada. Fale pausadamente.
- Não. Não. Eu só queria saber... Em primeiro lugar, o que é que você está fazendo aqui a esta hora? todo mundo já foi para casa. Já sei, é seu primeiro dia, você ainda está desambientada. Mas não precisa exagerar. Ninguém me disse que iam contratar uma nova telefonista. Aliás, me disseram que com esse novo sistema, não precisa telefonista. Você não esponde?
-Às sua ordens.
- Só me diga seu nome. Olhe, não sei o que lhe disseram a meu respeito, mas eu não sou um patrão duro, não. Só fico até esta hora no escritório porque, francamente, este é o lugar onde me sinto melhor. Minha mulher nem fala mais comigo. Me sinto muito melhor aqui, na minha mesa, na minha poltrona giratória, as minhas coisas, agora este novo telefone... entendeu? Não sei porque estou contando tudo isto para você. Ah, é para você não ter medo de conversar comigo. Sou absolutamente inofensivo. As funcionárias deste escritório, para mim, fazem parte da mobília, entende? Jamais faltei com respeito com nenhuma delas. Aliás, jamais faltei com respeito com mulher nenhuma, ouviu? Você não tem nada para me dizer?
-Não há mensagens.
O quê?
-Às suas ordens.
- Mas eu sou um animal. Você é uma gravação! Agora entendi. E eu aqui falando sozinho...Mas sabe que você tem uma voz linda?
-Às suas ordens.
-Quero fazer amor com você. Agora. aqui. em cima da mesa. Com a sua cabeça atirada para trás, por ima do calendário eletrônico. Com o jogo de canetas de acrílico espetando as suas costas. E você rindo, selvagemente, de prazer e de dor. Depois rolaremos pelo carpete como dois loucos. Como duas feras. Derrubaremos a mesa do café.
-Café: comprima o botão rosa.
- Ahn. Diz de novo. Comprima o botão rosa. Diz. Café.
-Café: comprima o botão rosa.
- Meu amor, minha paixão. Café,
-Café: comprima o botão rosa.
-Quero passar o resto da minha vida ouvindo a sua voz e comprimindo seu botão rosa. Nunca mais preciso sair do escritório. Só nós dois. Quero fazer tudo com você. Tudo!
- Você deixa?
-Às suas ordens.

domingo, 25 de março de 2012

Almoço de Domingo

Para quem gosta, cozinhar para um pode ser divertido: além da natural experimentação da receita e seu julgamento, a imaginação fica livre para planejar novas refeições com aqueles que amamos...
Hoje foi arroz branco com batatas cozidas na crostinha de sal e pimenta e filé de linguado grelhado. Simples, saboroso e eficaz na hora de perder o medo de grelhar filés delicados na frigideira :-)


A batata foi lavada, furada e teve vários furinhos na casca; depois sal grosso e pimenta do reino moídos na hora e as folhinhas de alecrim por cima. Microondas em potência alta por 5 minutos e estava pronta.
O filé de linguado foi temperado com sal e pimenta, suco de meio limão e folhinhas de alecrim. Marinou por 1 hora e depois foi pincelado com azeite e levemente empanado em farinha de trigo. 'Grelhou' em frigideira de teflon apenas untada com azeite por cerca de 3 minutos de cada lado.

Flor

Como pode? Uma florzinha molhada de chuva traz lembranças tão boas que me pego sorrindo sozinha...
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,perdemos também a felicidade. 
A dor é inevitável. 
O sofrimento é opcional..."
 (Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 18 de março de 2012

Almoço de domingo em família

No domingo passado mãe e irmão vieram almoçar e o cardápio improvisado acabou dando certo: arroz, feijão, lombinho assado, salada de tomates e batatas gratinadas (que foram inventadas na hora e certamente serão repetidas).
Nesse dia não houve foto, mas a receita das batatas ainda está fresca na cabeça:
Descasquei batatas grandes e cortei em rodelas de 0,5 cm de espessura. Aferventei-as na água salgada até que ficassem al dente e então escorri. Untei um pirex com azeite e dispus camadas na seguinte ordem: batatas aferventadas, cebolas bem picadinhas (no processador manual), sal e pimenta moídos na hora, fio de azeite e fatias finas de mussarela. Na terceira 'leva', ao invés de mussarela eu polvilhei com farinha de rosca e parmesão ralado. Levei ao forno baixo e deixei que gratinasse bem lentamente (quase 1 hora, pois estava sem pressa).
A cor, sabor e textura do prato ficaram bastante satisfatórios, inclusive para as crianças, cujo paladar às vezes pode ser bastante exigente...
De sobremesa, rocambole de doce de leite, cuja massa veio de uma receita nova (retirada do site Delícias da Calu). Mudei apenas o recheio: como estava com muita pressa, acabei usando doce de leite pronto da Lac mesmo
:

Recheio:
· 2 colheres (sopa) de manteiga
· 1 lata de leite condensado
· 1 xícara (chá) de coco ralado

Massa:
· 6 gemas
· 1 xícara (chá) de açúcar
· 3 colheres (sopa) de farinha de trigo
· 3 colheres (sopa) maisena
· 1 colher (chá) de fermento em pó
· 6 claras batidas em neve

Modo de preparo:

Recheio:  Forre uma assadeira de 41 x 27,5 cm com papel-manteiga. Misture todos os ingredientes e ponha na assadeira. Reserve.

Massa: Na batedeira, bata as gemas com duas colheres e meia (sopa) de água até espumarem. Junte o açúcar e bata bem. Numa tigela, misture a farinha de trigo, a maisena e o fermento e peneire sobre as gemas batidas. Misture com cuidado. Acrescente as claras em neve, mexendo delicadamente. Ponha a massa sobre o recheio na assadeira. Leve ao forno em temperatura média por 20 minutos. Desenforme com cuidado. Enrole o rocambole e polvilhe com açúcar. Corte e sirva.

domingo, 11 de março de 2012

Almoço de domingo by myself

Motivada pela visita ao Mercado do Peixe de Niterói com a minha amiga Leila, trouxe uma carne de siri que nem chegou a visitar o congelador: virou ramequim de siri no mesmo dia (quem não tem as casquinhas, faz com ramequim...)


A receita foi retirada do site Rainhas do Lar, com pequenas modificações:


Temperei uns 300g de carne de siri com sal, pimenta do reino moída na hora e algumas gotas de limão. Foi só o tempo de picar 1 cebola roxa pequena, e 1 tomate maduro sem pele e sem sementes, refogar no azeite de oliva honesto, e juntar a carne de siri, que refoga ali rapidinho, e depois recebe um pouco de molho de tomate (eu usei pronto), azeitonas verdes picadas e cheiro verde muito (eu usei salsinha). Quando estava com pouco caldo, abaixei o fogo, e juntei um pouco de creme de soja (mas você pode usar de leite), e um ovo batido (primeiro as claras e depois as gemas). Você terá um creme muito macio e poroso, graças ao ovo batido.

Agora, misture um pouco de farinha de rosca com queijo ralado, deite o creme nas casquinhas de siri (oh! não me diga que não tem!), polvilhe com esta farinha dourada, e leve ao forno pré-aquecido por uns 10 a 15 minutos, no máximo.


As modificações que fiz:
1.       Não coloquei a clara do ovo, pois fiquei com medo de ficar duro (e não achei que tenha feito falta);
2.       Coloquei coentro e cebolinha picados também;
3.       O “creme de soja” eu substiruí por creme de leite (meia caixinha);
4.       Usei polpa de tomate industrializada no lugar do molho de tomate;
5.       Usei pimenta do reino moída na hora E molho de pimenta bem forte, tipo Tabasco.
A única coisa que senti falta foi o azeite de dendê (e eu nem gosto muito), mas acho que fica bastante bom sem ele também.

sábado, 10 de março de 2012

Amigas

No iate: amigas, camarões ao alho, espumante gelado e conversa muito boa...